Não preste atenção
Não dê conselhos
Não peça permissão
É só você quem deve decidir o que fazer
Pra tentar ser feliz ♫"
—
Clarissa Corrêa (via distorcido)
(Source: munida-de-sentimentos, via geovaniolucena-deactivated20120)
“Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como “estou contente outra vez”. Ou simplesmente “continuo”, porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como “sempre” ou “nunca”. Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim – nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”. Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência. Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente – e não importa – essa coisa que chamarás com cuidado, de “uma ausência”. E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer.”

“A grande revolução de 1968 foi tirar a máscara das pessoas. O sujeito passa o tempo todo representando o papel de juiz, de delegado, de presidente, de diretor de teatro. Aquela geração libertou-se da hipocrisia. As pessoa se deram conta de que precisavam viver o aqui e o agora, que não dava para esperar os outros fazerem algo por você. Desistiram de fazer o papel de otário. Elas descobriram que tinham o poder. E não o poder do dinheiro e do sucesso. Mas o poder de transformar o mundo, o que é algo muito maior. Nós tiramos a esperança de todo mundo. E isso é bom. Quem tem esperança passa a vida esperando o messias que pode ser um emprego melhor, mais dinheiro. Isso é loucura. As experiências malucas na arte, a experimentação das drogas, o contato com o outro, tudo isso despertou o conhecimento do corpo. Esse espírito está vivo até hoje. Vejo ainda muita gente querendo tirar a máscara. Muita gente não suporta mais o catecismo. Não suporta mais se fechar para a vida. Essa vontade de se libertar é reflexo do que fizemos em 68.”
José Celso. “Nós tiramos a máscara”
“…Mas a maior lição que aprendi com 68 é que tanto faz o lado em que os políticos estão. O que eles querem apenas é poder e dinheiro. O resto não passa de utopia.”
Marília Pêra.
Well, tirei dessa reportagem o que mais me chamou a atenção. São depoimentos, ou parte dos depoimentos, de dois dos principais rostos da geração da década de 60. Inclusive, o título se refere ao comentário do diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa, que disse ser a música “Para não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, uma das trilhas sonoras possíveis para o período. O trecho citado, segundo ele, traduz o espírito daquela época.
puts, tô com muita preguiça de escrever mais alguma coisa :3 termino o post por aqui, dizendo que o depoimento do José Celso (ali no começo) expressa exatamente o que concluí depois de ler a reportagem de 8 páginas na revista Época, publicada em janeiro de 2008.